
O Ford Mustang acabou de completar 45 anos. Por isso, resolvemos celebrar seu sucesso com a megalomania da versão Mach 1. Que tal esse cupê de 1.404 kg, com um capô que fica com mais da metade desse peso? E pensar que a primeira cena do cinema em que um carro andou em duas rodas foi uma honra desse Ford. O nome do filme? "Os Diamantes são Eternos"(1971), da série em que o agente secreto James Bond apronta ao volante, dessa vez fugindo de carros de polícia na então pecaminosa Las Vegas (EUA). Lançada em 1969, essa versão que acabou ficando entre a GT e a Boss, era pura testosterona com enfeites do tipo faixas pretas, janela traseira com veneziana e um generoso aerofólio, detalhes que podem ser apreciados no carro que aparece nas fotos, fabricado em 1973. Veio do sul do País e recebeu apenas uma pintura nova para ficar perfeito.
O Mach 1 é um carro que inspira desempenho até pelo nome. Mach é o que a aviação considera a velocidade do som. Nada mais sugestivo na época em que o carro foi lançado, quando os caças supersônicos estavam em voga nos Estados Unidos. Além disso, no início dos anos 70, ao contrário do que acontece hoje, a extravagância estava em alta, daí a aparência musculosa e cheia de adornos do carro. A pintura amarela fazia parte das opções chamativas oferecidas pela Ford, que num anúncio publicitário dizia que esse Mustang era "um cavalo de cor diferente". A lista de equipamentos também é diretamente proporcional ao tamanho do carro. Incluía ar-condicionado, vidros elétricos, direção hidráulica, entradas de ar no capô, entre outros itens.
A festa de ostentação continua no interior, com enormes bancos revestidos de couro, devidamente costurados para o assento ficar com ranhuras e com encosto de cabeça embutido. Soleiras de alumínio com o logo da Ford no centro e portas com detalhes de madeira também fazem parte do capricho desse Mustang. A instrumentação com mostradores individuais e de formato oval foi feita para dar a impressão de que você está no comando de um carro de corrida. O que contribui com essa sensação é o volante de três raios e aro de madeira, mas com a empunhadura de um daqueles "charutos" da Fórmula 1 dos anos 50, que deslizavam nas pistas com seus frágeis pneus de lona. Mas basta girar a chave no contato para deixar qualquer idéia de fragilidade de lado.
O V8 acorda falando grosso. E sacudindo o carro inteiro. Para o carburador de quatro corpos (quadrijet) se banhar com gasolina é preciso esperar um pouco até o óleo do cárter passar por todas as galerias do bloco de ferro fundido. O jeito é ir pisando aos poucos no acelerador, até sentir que o motor está pronto para saltar a voz e os 315 cavalos de potência (brutos). Mas é bom acalmar os ânimos porque o câmbio é automático de apenas três marchas, tirando qualquer pretensão de mostrar seus dotes de piloto, mesmo porque a imensidão do capô e o peso de carro de luxo também atrapalham nas curvas. Mesmo assim, a força do V8 empolga, por isso é bom não provocar esse brutamonte.
Como a maioria dos clássicos, os freios são pontos críticos. Nesse gigante, a força aplicada no pedal exige não apenas força, mas muito tato para evitar que as rodas travem. Além disso, para ajudar a compor um clima de competição à moda antiga, o cheiro de gasolina vem de todos os lados, acompanhado pelo som borbulhante do V8. Ao contrário de um carro de corrida, você não vai sofrer de dores nas costas, já que os assentos são confortáveis. E nem de calor, porque o carro já vem com ar-condicionado. De qualquer forma, o Mach1 sempre vai estar na memória daqueles que viram o auge do chamado "american way of life".
PREÇO ESTIMADO DO CARRO: R$ 120 mil (no Brasil)
PRODUÇÃO: 1970 a 1979
MOTOR: 5.0, V8, 315 cv (brutos), 46,3 kgfm
TRANSMISSÃO: Automática de três marchas, tração traseira
0 a 100 KM/H: 8,4s
VELOCIDADE MÁXIMA: 198 km/h
Fonte: CarMagazine

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