terça-feira, 31 de março de 2009

Tata Nano chega ao mercado mundial por US$ 1979,00

Como você julga um carro de US$ 1979,00? Com o que você o compara, quando nunca houve algo igual antes? O Tata Nano não é apenas um carro novo, mas um novo tipo de carro. Há cinco anos, Ratan Tata decidiu que a sua companhia fabricaria e venderia um carro pela metade do custo do carro mais barato na Índia – um antigo clone da Suzuki cujos custos de desenvolvimento foram recuperados décadas atrás – e um quarto do custo do carro mais barato na Europa. Agora está quase pronto. Então julgando o resultado, você começa com a visão de que, por ser um carro, deveria ser comparado pelo conforto e recursos de outros que custa duas vezes mais que ele? Ou você começa pelo preço, e uma suposição de que qualquer coisa que oferece quatro rodas, quatro portas e um teto pelo dinheiro de uma lambreta deve ser uma boa coisa?

Pelo contrário, não pense assim e tenha o mesmo salto no pensamento que o chefe e engenheiros da Tata tiveram. Elimine seus preconceitos, suas noções de valor e daquilo que faz um carro – não é fácil. Mas guarde o seu preconceito e acharemos que você concordará que é uma coisa nova extraordinariamente importante e esperta.

Nós iremos direto ao por que em um momento. Primeiro, um pequeno contexto. Escute Ratan Tata falar sobre seu bebê. Soa mais como um projeto social do que um empreendimento comercial. A cada ano, 130.000 pessoas são mortas nas estradas da Índia, mas somente 15% delas morrem em carros, ônibus ou caminhões. Muitas mais são varridas de suas bicicletas ou lambretas. Com bastante frequência, famílias de 4 pessoas viajam juntas em uma motocicleta; as consequências de um acidente dificilmente precisam de uma explicação. A Tata quer construir um carro que essas pessoas que atualmente andam sobre duas rodas possam pagar razoavelmente.

Isso é fundamental. O Nano não foi projetado para bater preços de carros existentes, mas para tornar possível para centenas de milhões de pessoas proprietárias de um veículo, as quais não anteriormente. Se funcionar, terá um impacto tremendo nos registros de segurança de estradas na acute;ndia. E também vai piorar o seu congestionamento e a poluição. E se preencher uma fração do seu potencial de vendas na Índia e outros mercados emergentes, fará com que a aquisição da Jaguar e Land Rover, por parte da Tata Motors, seja uma pequena distração.

A revista CAR foi para a Índia e viu mais do Nano do que ninguém. Podemos dizer para você como eles fizeram com que o carro ficasse tão barato e o que estão fazendo para prepará-lo para a Europa. Ninguém chegou tão perto.

Primeiro o básico. Quando começamos reportagens sobre esse carro há três anos, nossas fontes nos disseram para esperar por algo totalmente diferente de um carro, possivelmente sem vidros ou portas e com um teto de lona; algo como um Citroën Mehari contemporâneo. Desde a sua apresentação no salão de automóveis de Nova Delhi em janeiro de 2008, sabemos que é um monobloco de aço, e com quatro portas. Ele se parece suspeitamente com um carro normal.

Agora que nós nos sentamos dentro de uma cabine de produção, estamos contentes em reportar que se parece mesmo com um carro aqui também. Os engenheiros dizem que estão muito orgulhosos a respeito da maneira de como eles maximizaram o espaço, e isso é incrível. O 1,6 m de altura do Nano disfarça o seu comprimento; mais de perto é maior do que parece nas fotos, embora dificilmente passe de 3,1 m, ou 60 cm a mais que um Smart. Mas porque o conjunto mecânico é tão pequeno e as extremidades dianteira e traseira são tão largas e verticais, virtualmente o seu comprimento inteiro é espaço útil da cabine. É imenso por dentro, com um espaço traseiro considerável. O banco traseiro do Nano pode levar três passageiros, e uma pessoa de 1,80 m pode sentar atrás de outra com espaço para a cabeça e para o joelho.

Assim as comparações padrão terminam. Para economizar em peças prensadas, dobradiças e fechos, não existe janela traseira. Para ter acesso ao porta-malas de 100 litros ou 50 kg, você puxa para frente os bancos traseiros; uma janela de vidro pode ser oferecida como uma opção. Os engenheiros ficam tristes por quão barato poderia ter sido com duas portas, mas os compradores indianos não comprariam. Há somente um limpador de para-brisa e um retrovisor.

O tanque de combustível de 15 litros é pequeno, mas, com média de 25 km/l, como a fábrica afirma que o carro vai fazer, sua autonomia é de 375 km. Ele fica abaixo dos bancos dianteiros, mas você vai procurar em vão por uma tampa do tanque de combustível. Novamente, muitas peças prensadas, dobradiças, fechos; em vez de fechaduras ou fechos, há um funil de plástico sob o pequeno tampão dianteiro junto com recipiente do limpador, estepe de tamanho original, freios simples (não são ABS), sistema de direção de cremalheira e pinhão mecânica, sem assistência, e nada muito além. Você não precisa de auxílio de potência quando o carro pesar somente 600 kg; menos coisas, menos peso e menos custos fazem um círculo virtuoso impressionante.

O motor inteiro – 624 cc, dois cilindros, 33 cv – e o conjunto da suspensão traseira são presos a um quadro e fixados com apenas quatro parafusos. Reduzir o custo de fabricação é tão importante como reduzir os custos das peças; as rodas de 12 polegadas são presas com três parafusos, em vez dos quatro comuns.

Haverá três versões de acabamento, com o modelo básico disponível em três cores sólidas. O seu interior é extremamente simples, mas surpreendentemente bem feito e o faz lembrar de como realmente precisamos de pouca coisa em uma cabine. Os bancos foram projetados com o mínimo possível de revestimento, mas permanecem confortáveis. O painel de instrumentos possui um pouco mais do que um volante sem airbag, um velocímetro central (para cortar o custo da versão para a direção no lado esquerdo ), mas é feito de um plástico incrivelmente grosso e de boa aparência.

Para cortar custos de fabricação não existem opções; você escolhe somente um dos três níveis de acabamento, mas se você quiser adicionar ar-condicionado para o modelo básico posteriormente, ou desejar algum luxo como mais um retrovisor lateral, rodas 12 polegadas de liga leve, aquecedor ou um rádio, o seu vendedor vai atendê-lo.

Se tudo isso fizer com o Tata Nano soe muito com um carro real, é porque é exatamente como ele se parece e sente. A grande questão é se ele irá rodar como um carro real. Fomos levados para dirigir um protótipo com três engenheiros da Tata a bordo – 33 cv parece o suficiente para mover um os 600 kg do carro. O motor é notado por algo entre um pequeno ruído e um sinal sonoro. A caixa de câmbio de quatro marchas tem engates duros e desconfortáveis. Mas nosso motorista mostra que o Nano tem aceleração suficiente para acompanhar o tráfego urbano, e potência suficiente para viajar na estrada. A velocidade máxima é de 104 km/h.

A carroceria alta e estreita faz com que o Nano se incline bastante nas curvas, mas não chega a comprometer a estabilidade. O carro roda suavemente, e a suspensão absorve bem as irregularidades do asfalto, e o ruído e a vibração do motor chegam a incomodar. Importante lembrar que esse é somente um protótipo.

E ele pode ficar ainda melhor. A Tata está estudando motores mais potentes, a gasolina e três cilindros, turbo diesel common rail, e ainda um câmbio com cinco marchas e uma automática. Seus investimentos na companhia norueguesa de carros elétricos Miljo e na francesa MDI, inventora do carro a ar comprimido, significa que em breve o Nano poderá rodar com esses sistemas. Para a Europa, desenvolve a possibilidade de incluir airbags, ABS, controle de estabilidade, mais proteções laterais e emissões padrão Euro V. E certamente custará mais. Ah sim, o custo. Fabricar um carro pela metade do que foi imaginado anteriormente não seria fácil, e o grande aumento dos custos de energia e materiais durante a geração do Nano deve ter quase o tornado impossível. Quando um carro é barato assim, a proporção do seu valor contado pelos seus simples materiais se torna muito maior. Esses custos baixaram nos últimos meses, mas então o protesto de fazendeiros despejados pela nova fábrica da Tata na região West Bengal, a forçaram a dar um passo extraordinário em abandonar a instalação e iniciar uma nova a partir do zero em Gujarat. Não estará pronto antes de no mínimo um ano; enquanto isso, a produção vai começar em uma das outras fábricas da Tata, cinco meses atrasadas.

Então, se custar 100.000 rupees (moeda indiana), ou o equivalente a US$ 3 mil quando finalmente for posto à venda em torno de março, ficaríamos surpresos. A Tata não vai se comprometer com isso publicamente, dizendo que isso ainda é a sua meta, e que você terá que acrescentar impostos e mais a margem do vendedor. Os compradores indianos terão de pagar US$ 3,5 mil. Mas eles estarão satisfeitos, e nós também. O Nano é um dos carros mais espertos e significativos nos últimos anos.


Fonte: CarMagazine

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